Neuropsicologia e a infância

Gente de Atitude!

A Julia Kuczynski é psicóloga e super minha parceira para assuntos de neuropsicologia e neurociência aqui na Atitude Emocional! Então, a partir de agora ela vai fazer uma série de posts relacionando e explicando a neuropsicologia em cada fase da nossa vida. Vamos começar com a infância. Acompanhem:

“Dando continuidade ao nosso tema Neuropsicologia, aprofundaremos os conhecimentos para as fases iniciais dodesenvolvimento humano, cuja demanda por atendimento é alta. Isso porque as mudanças ocorrem rapidamente e, ao perceberem dificuldades escolares, alterações de comportamento e dificuldade de interação social, os pais procuram o profissional buscando respostas e ajuda na lida diária com o filho. Cada criança tem sua particularidade e ritmo, porém devem “obedecer” a uma curva de evolução de desenvolvimento para aquilo que lhe é esperado em cada fase de vida. A isso se dá o nome de desenvolvimento neuropsicomotor; entendido e organizado de diferentes formas por profissionais e autores. Na linha cognitiva, destacam-se nomes como Piaget e Vygotsky, porém outros autores e estudiosos tem igual importância, como Freud e Erikson na abordagem psicanalítica; Pavlov, Skinner e Watson no behaviorismo e Bowby na teoria evolucionista.

Na neuropsicologia, não só os dados pós-parto são relevantes, mas os gestacionais, familiares e genéticos também. Quando o paciente procura atendimento, ele traz uma queixa. Na infância, quem manifesta a queixa geralmente é o familiar, a escola ou o responsável pela criança. Cabe ao avaliador fazer uma entrevista detalhada, chamada anamnese, colhendo informações da família como um todo, da gestação e do desenvolvimento da criança, bem como informações da escola e de outros profissionais que possam estar lhe acompanhando. Muitas vezes a solicitação de exames se torna necessária para descartar fatores orgânicos que possam estar relacionados à queixa referida. Então o profissional fará uma entrevista com a criança buscando compreender a demanda e estabelecendo uma hipótese diagnóstica que norteará o processo de avaliação e as escolhas dos instrumentos psicométricos mais adequados à ela. Uma criança sem aquisição de linguagem requer um tipo de teste, assim como a que ainda não foi alfabetizada ou que apresenta limitações para seu uso. Porém, isso não é um impeditivo uma vez que a psicologia dispõe não só de testes quantitativos, como também qualitativos. O que isso quer dizer? Um teste quantitativo fornece uma “nota” a ser comparada com a normatização para a escolaridade e o grupo etário. Ou seja, ela é classificatória. Já a avaliação qualitativa se baseia em métodos observacionais e na relação avaliador-paciente. Até porque, não falar, em determinada fase do desenvolvimento, é um dado importante a ser considerado. Os primeiros sinais do autismo, por exemplo, podem aparecer nos primeiros meses de vida, como estereotipias (comportamento repetitivo sem qualquer função justificável) e o não estabelecimento de contato visual com os pais. As síndromes genéticas também podem ser evidentes nas primeiras fases da vida. Porém, outras patologias só são passiveis de observação após a aquisição da fala e da marcha, quando os atrasos e dificuldades podem ser percebidos. Vale lembrar que a aprendizagem está diretamente relacionada à estimulação, partindo do pressuposto de que as crianças aprendem por imitação. Portanto, crianças que ficam muito sozinhas e interagem pouco com outras crianças ou adultos, podem apresentar comprometimentos importantes na aprendizagem e na funcionalidade.

Uma vez feita a avaliação, o profissional fará os devidos encaminhamentos, buscando métodos e abordagens para desenvolver o desempenho desta criança, uma vez que a avaliação não tem por objetivo dar um “rótulo”, mas pensar em alternativas que garantam uma melhor adaptação e qualidade de vida. Por isso, é de suma importância que os pais, a escola e os profissionais estejam envolvidos no cuidado dessa criança.

É recorrente pais perguntarem “mas tem tratamento?”. Cada caso é um caso. Porém, sabe-se que até os 18 anos, o indivíduo dispõe de uma plasticidade cerebral, na qual o prognóstico (predição médica quanto à evolução da doença) pode ser, muitas vezes, positivo. Mas o que é plasticidade cerebral ou neuroplasticidade? É a capacidade do sujeito flexibilizar, remodelar e adaptar formas de pensamento, tanto em nível estrutural quanto funcional, de acordo com as diferentes demandas do ambiente. Em termos neuroquímicos, é a possibilidade de criar novas sinapses e obter novos conhecimentos e memórias. Isto é, a possibilidade da estimulação neuropsicológica é sempre recomendada, embora as respostas ao tratamento sejam particulares, variando de pessoa para pessoa.”

Julia Youssef Kuczynski
CRP 06/102551
Psicóloga formada pela PUC-SP, especialista em Psicologia da Saúde com ênfase em Saúde Mental, método Rorschach e especializanda em Neuropsicologia pelo Centro de Diagnóstico
Contato: jukuczy@hotmail.com

 

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