Neuropsicologia nos jovens e adultos

Gente de Atitude!

Vocês já conhecem a Julia Kaczynski, é psicóloga e super minha parceira para assuntos de neuropsicologia e neurociência aqui na Atitude Emocional! Então, hoje é dia de falar da neuropsicologia em jovens e adultos. Acompanhem:

“Temos abordado o tema da neuropsicologia em cada fase da vida e, desta vez, o foco será nas queixas e patologias que acometem especialmente os jovens e adultos.

Quadros não diagnosticados na infância podem se estender à vida adulta, principalmente quando o meio exigir certas competências, seja na escola, no vestibular, na faculdade ou no trabalho. O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) Predominantemente Desatento, por exemplo, é queixa recorrente na clínica e são subdiagnosticados devido ao não-fator ‘hiperatividade’. O que isto quer dizer? A criança que apresenta alterações no comportamento, inquietação, queixas escolares e familiares, está mais susceptível a uma intervenção precoce se comparado ao aluno “quieto”, que não dá “trabalho”; mas que muitas vezes não consegue acompanhar os estudos. Quando sob alto volume de leitura e estudo, o indivíduo passará a encontrar dificuldades e buscará ajuda profissional para um melhor desempenho de suas funções.

Na idade adulta também aumentam as chances de transtornos mentais associados ao trabalho, como a Síndrome de Burnout e quadros de humor (ansiedade e depressão), intimamente ligados à cognição e desempenho. Estes diminuem os níveis de atenção e, consequentemente, a aquisição e evocação de novas informações (memórias). A Síndrome de Burnout, para quem não conhece, é definida por Herbert J. Freudenberger como “(…) um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional”. Este quadro apresenta os mais diversos sintomas, como fortes cefaleias (dores de cabeça), tremores, tonturas, falta de ar, oscilações de humor, distúrbios do sono, dificuldades de concentração e problemas digestivos; trazendo muito sofrimento ao sujeito.

Na grande maioria dos casos, este tentará procurar ajuda médica, principalmente psicofarmacológica que, indiscutivelmente trará benefícios em curto prazo se comparada a outros métodos de acompanhamento psicológico. Em outros casos, o sujeito irá procurar ajuda ou justificativa espiritual para seus males. Isto se dá por alguns motivos. O principal deles é que ninguém quer ou sabe entrar em contato com o sofrimento.

A modernidade trouxe muitos avanços no campo da medicina e a indústria farmacêutica tem se reinventado cada vez mais para atender à demanda da sociedade. Vale lembrar que a expectativa de vida, em apenas 50 anos, aumentou 25,4 anos e passou de 48 para 73,4 (segundo dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -IBGE). Da mesma forma, com o advento da internet e de outros meios de comunicação, a velocidade de transmissão de dados despontou e isso fez com que todos se adaptassem a uma forma imediatista de obtenção de prazer ou solução para o desprazer. Mas o que isto quer dizer? Claramente, todos nós nos acostumamos com respostas rápidas e isto não seria diferente na área da saúde. Se sentimos dor de cabeça ou qualquer desconforto físico, é fácil! Basta tomar um analgésico! Provavelmente a dor cessará em 15 minutos.

Ou seja, do ponto de vista reducionista, quando há uma queixa, procuramos um médico, que fará um diagnóstico e então estabelecerá uma conduta. Mas e quando a ciência não é tão exata assim? É o caso da psiquiatria e da psicologia. Existe uma gama de variáveis que podem estar relacionadas com tais transtornos e, inevitavelmente, acabam por trazer angústia para aqueles que os experimenta. Digamos que é mais “aceitável” pensar que é de cunho espiritual ou que um remédio será a “saída milagrosa” para seus problemas. Veja, não venho discutir a importância do tratamento médico ou do uso de medicações, pois são inegáveis. Mas o que se observa é que o método não basta por si só. Para tanto, é exigido um longo e árduo trabalho, em que o indivíduo precisará se comprometer e despender energia para buscar um entendimento mais aprofundado de si e de seu contexto de vida.

Além disso, somos exigidos e cobrados constantemente por produtividade, entrega e estabilidade emocional. Não há espaço para o sofrimento, o luto, a falta de motivação, inerentes a todo ser humano.

Quando o jovem ou o adulto são seus próprios cuidadores e não seus familiares, o que se vê é um alto nível de resistência e uma falsa sensação de que será capaz de dar conta de tudo. Da mesma forma como as “doenças do corpo” necessitam de um olhar especial, as “doenças da mente” também merecem o seu investimento. Reconhecer a necessidade de ajuda não é sinal de fraqueza e sim um sinal de que você é capaz de identificar suas potencialidades e limitações, e se abrir para a mudança.”

Julia Youssef Kuczynski
CRP 06/102551
Psicóloga formada pela PUC-SP, especialista em Psicologia da Saúde com ênfase em Saúde Mental, método Rorschach e especializanda em Neuropsicologia pelo Centro de Diagnóstico
Contato: jukuczy@hotmail.com

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